terça-feira, 6 de julho de 2010

O ritual do aperto de mãos
Estender e apertar as mãos é um gesto de acolhimento e amizade que se emprega em quase todas as civilizações, e que já perdura por milênios.Vale para todos os encontros e relações, quando se apresentam pessoas, reencontram-se amigos, quando se “fecham negócios”, até na recepção que o médico oferece ao paciente no consultório. Somos uma civilização do aperto de mãos. A gripe H1N1 trouxe um certo desconforto na prática desse cumprimento, já que o vírus pode, teoricamente, ser transmitido por esse tipo de contato. Mas a lavagem das mãos é preconizada há mais de um século e meio. Uma série de pesquisas vem tentando explicar porque os profissionais de saúde, os médicos particularmente, não lavam as mãos com a frequência que deveriam fazer. Os estudos quantificam o que chamam de “oportunidades” de lavagem de mão – momentos em que a lavagem das mãos traria benefícios para a segurança dos profissionais e do doente. Ou seja, cada vezque o profissional manipula um paciente, antes e depois da manipulação, quando toca o entorno do paciente, aperta o interruptor, desliga um aparelho, abre a maçaneta. “Tudo o que é feito imediatamente antes ou depois de lidar com o paciente é objeto de lavagem de mãos”, diz Galvanese. De alguma maneira, o contato passa (um possível vírus) de um objeto inanimado para o paciente, ou do paciente para um objeto inanimado. Os pesquisadores contam essas oportunidades de lavagem de mãos e quantificam quantas foram efetivadas. “Quando se faz a contagem pela primeira vez, o número de lavagens de mãos é muito pequeno, não chega a 40%. Depois que se faz um treinamento, as oportunidades aproveitadas quase dobram. Mas alguns meses depois, as atitudes voltam ao estágio inicial”, diz Galvanese. Esses estudos também mostram que os médicos são os profissionais que menos lavam as mãos, bem menos que os enfermeiros. Galvanese cita um pesquisador suíço Didier Pitet, presidente da comissãode controle de infecção hospitalar de um grande hospital em Genebra, que depois de muitos estudos concluiu que lavam as mãos aqueles que foram educados desde pequeno a lavá-las. Mudar os hábitos depois, fica muito difícil. Conclusões de outros estudos mostram que profissionais que trabalhamem UTIs, e que por isso estão a todo momento tocando o paciente ou o entorno desse paciente, não teriam tempo para lavar as mãos todas as vezes consideradas necessárias. Para esses profissionais, o emprego do álcool gel veio facilitar, já que seu uso é bastante mais rápido. Todos esses estudos trazem uma conclusão em comum, a de que os estímulos aos profissionais quanto aos gestos que podem evitar a infecção hospitalar devem ser permanentes, caso contrário, as práticas são esquecidas.

O Controle da Infecção Hospitalarno Estado de São Paulo
Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP)
Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP)
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